O ano acabou de começar, mas já é possível saber quais serão as tecnologias que irão moldar o mundo da inovação em 2025? A resposta óbvia seria: IA? O que existe além da Inteligência Artificial?
Anualmente, diversos especialistas, institutos especializados e empresas de consultoria abordam as grandes tendências do ano em relatórios detalhados e cartas abertas traduzindo sinais de mudanças em previsões para tecnologia no mundo.
Há alguns anos acompanho vários destes relatórios e, particularmente, me apeguei a três (dos muitos) relatórios que aparecem nesta época do ano. O primeiro é carta anual da futurista Amy Webb, considerada uma das principais vozes do mundo em previsões tecnológicas, CEO do Future Today Institute e professora da New York University. O segundo, é o relatório Tech Trends da Deloitte, empresa de consultoria listada entre as 4 mais importantes do mundo. O último (e super importante) é o relatório de tecnologias estratégicas da Gartner, empresa especializada em serviços de pesquisa e consultoria para o setor de tecnologia.
Os links de cada um dos relatórios/carta estão abaixo:
- Annual Letter 2025 Macro Themes + 2024 Signals Review – Amy Webb (link#1)
- Tech Trends 2025 report – Deloitte Insights (link#2)
- Gartner Top 10 Strategic Technology Trends for 2025 (link#3)
Depois de ler cada um dos documentos e entender os sinais por trás de cada tópico, fiz uma curadoria de quatro dos itens mais abordados nos relatórios. Lembrete: essa é uma análise pessoal e, caso queira aprofundar em cada item, sugiro a leitura de cada um dos documentos.
1. Além da IA (modelos de ação e autônomos)
A Inteligência Artificial é considerada a espinha dorsal das inovações tecnológicas e o termo mais citado em todos os relatórios analisados. Ela não apenas otimiza operações, mas também transforma a forma como organizações e indivíduos interagem com dados e tomam decisões.
Fazendo uma reflexão pessoal, acredito que a IA deixará de ser uma tecnologia citada de forma isolada e passará a ser matriz transversal de ativação de outras soluções, tais como é hoje a internet ou mesmo a eletricidade.
Na carta da Amy Webb (link#1), ela introduz o conceito de “Living Intelligence“, combinando IA com outras duas grandes tendências (biotecnologia e sensores avançados) para criar sistemas que aprendem, adaptam-se e evoluem continuamente. Esses sistemas têm a capacidade de responder em tempo real a mudanças no ambiente, fornecendo insights valiosos e otimizando processos em setores como manufatura, saúde e logística.
Amy cita a aplicação de large action models (LAMs), que usam os dados comportamentais que geramos quando usamos nossos telefones, por exemplo, junto com uma constelação de sensores em todos os lugares, coletando vários fluxos de dados de uma só vez. A partir disso, é possível gerar “tomadores de decisões invisíveis”, que poderão ser operados tanto por pessoas (PLAMs), corporações (CLAMs) ou até governos (GLAMs).
Na mesma linha, o relatório da Gartner (link#2) apresenta a IA Agentic, definida como programas autônomos que planejam e executam tarefas complexas de maneira independente. Essas ferramentas utilizam uma combinação de memória, planejamento estratégico e sensibilidade ambiental para tomar decisões baseadas em grandes volumes de dados. Além disso, plataformas de governança de IA garantem que essas ferramentas sejam utilizadas de forma ética e transparente.
O relatório da Deloitte (link#3) ressalta que a IA será tão fundamental quanto a eletricidade, operando de forma invisível, mas essencial, no fundo das atividades diárias. Ela otimizaria desde o tráfego urbano até a personalização de serviços de saúde, passando por sistemas educacionais adaptativos e acessíveis.
2. Convergência de tecnologias, além de “ilhas” tecnológicas
A convergência tecnológica refere-se à integração de várias inovações emergentes, como IA, sensores avançados, biotecnologia e computação híbrida/quântica, para criar sinergias que ampliam seu impacto individual. Essa tendência transforma indústrias inteiras, acelera a inovação e redefine os modelos de negócios tradicionais.
O relatório da Deloitte (link#3) enfatiza que as “interseções intencionais” entre tecnologias, como IA integrada a dispositivos IoT, criam ecossistemas altamente eficientes. Essa integração permite que as empresas desenvolvam soluções personalizadas para problemas complexos e melhorem significativamente a eficiência operacional. 2025 será o ano, provavelmente, de olhar menos para tecnologia e mais para a aplicação em convergência entre soluções disponíveis.
Para Amy Webb (link#1), o “Superciclo Tecnológico” (que ela apresenta neste vídeo no SXSW em 2024) destaca como a fusão de IA, sensores avançados e biotecnologia pode resultar em um período de rápida disrupção. Essa convergência não apenas acelera a inovação, mas também cria mercados completamente novos e reformula a dinâmica econômica global.
O relatório da Gartner (link#2) foca na criação de novos modelos de negócios e experiências mais imersivas por meio de tecnologias como sensores de baixo custo, computação híbrida e IA. Essa combinação possibilita interações mais ricas e complexas entre sistemas e usuários.
Em resumo, integração pode ser (ainda mais) a palavra da vez, considerando que a convergência acelera a entrada de novas tecnologias no mercado, reduz custos e cria oportunidades inéditas de receita.
3. Computação espacial e experiências imersivas
E o metaverso? Risos.
A computação espacial mescla os mundos físico e digital, permitindo que informações sejam apresentadas e manipuladas de maneira mais intuitiva e imersiva. Ela cria ambientes que integram sensores, realidade aumentada (AR), realidade virtual (VR) e inteligência artificial (IA) para oferecer experiências transformadoras.
Detalhes por Relatório:
Para Amy Webb (link#1) destaca o papel dos sensores avançados em alimentar tecnologias como AR e VR, permitindo simulações precisas e aplicações em áreas como entretenimento, educação e saúde. Para Amy, em 2025 a computação espacial se torna “mainstream”.
O relatório da Gartner (link#2) apresenta a computação espacial como uma das tendências estratégicas de 2025. Essa tecnologia melhora interações físicas e digitais, permitindo experiências mais naturais e intuitivas para os usuários. A integração com robótica também é apontada como uma evolução importante.
Já a Deloitte (link#3) enfatiza o uso de gêmeos digitais e simulações avançadas para otimizar processos empresariais e melhorar a tomada de decisão. A computação espacial é descrita como fundamental para integrar dados de múltiplas fontes em um único ambiente visual.
4. Preparação para a Computação Quântica
A computação quântica promete resolver problemas que estão além da capacidade dos sistemas computacionais tradicionais. No entanto, sua chegada traz desafios, incluindo a necessidade de desenvolver criptografia resistente às capacidades quânticas.
A Computação Quântica utiliza os princípios da mecânica quântica para realizar cálculos muito mais rápidos e eficientes do que os computadores clássicos. Enquanto os computadores tradicionais processam informações em bits, que podem representar apenas 0 ou 1, os computadores quânticos usam qubits (bits quânticos), que podem existir simultaneamente em múltiplos estados graças ao fenômeno da superposição quântica.
Amy Webb (link#1) destaca a computação quântica como uma tecnologia próxima de atingir um ponto de inflexão. As aplicações potenciais incluem avanços em ciência de materiais, finanças e medicina, mas também apresentam desafios éticos e de segurança. Pela primeira vez, computadores quânticos estão apresentando viabilidade em relação ao seu custo de processamento em comparação com o resultado da tarefa executada.
A Deloitte (link#3), porém, apresenta que a computação quântica representa um risco significativo à segurança cibernética, pois poderá quebrar sistemas de criptografia convencionais. A preparação para este cenário é essencial para manter a integridade dos dados e comunicações.
O relatório da Gartner (link#2) já introduz o conceito de criptografia pós-quântica, essencial para proteger dados sensíveis de futuros ataques cibernéticos baseados em computação quântica. Destaca a importância de começar a transição o quanto antes, dada sua complexidade.
À medida que avançamos para 2025, as tendências tecnológicas destacadas nesta edição da Notas de Mentoria nos mostram que estamos à beira de (mais uma) transformação profunda.
Da convergência de tecnologias emergentes à preparação para novas eras (por exemplo, quântico), o futuro reserva inovações que redefinirão mercados, comportamentos e estratégias empresariais.
Para líderes e organizações, o desafio não é apenas acompanhar essas mudanças, mas também moldá-las de maneira ética, estratégica e responsável. E para você, há alguma tendência que você esperava ver destacada e não foi mencionada?
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