á era sexta-feira 19h45 de novo, e eu chegava exausto ao final de mais uma semana. Muito produtiva, OK. Mas sentia falta de ver como aquilo tudo estava se conectando com meu crescimento pessoal e profissional.
Senti que o volume infinito de tasks na minha “to-do-list” de repente me tirou o foco e me afastou da minha “the big picture”.
O Guilherme se tornou apenas um “fazedor de tarefas”? Um executor “puxador de carroça”? Precisava me conectar de novo com minha essência, propósito e objetivos de vida.
Foi aí que me lembrei da “Think Week”.
Uma “Think Week” por Bill Gates
Já faz um tempo que havia lido um artigo falando sobre uma rotina que Bill Gates possui há décadas, que ele denomina “Think Week”. Bill embarca duas vezes ao ano em uma semana inteira de retiro imerso em uma cabana no Pacífico.
Durante sete dias, ele se desconecta da sua família, amigos e tecnologia, levando consigo apenas livros, jornais, artigos e notas que considera importantes. Bill foca em estudar profundamente, escrever e criar respostas para questões importantes pessoais e profissionais que está vivendo.
Os memorandos e decisões mais importantes da Microsoft, por exemplo, segundo relatam vários artigos, foram tomadas nas Think Weeks de Bill durante quase duas décadas.
Como eu não tenho uma cabana no Pacífico e não podia me afastar do trabalho por uma semana, resolvi fazer a minha adaptação “pocket” para um final de semana.
Minha versão pocket: “Think Weekend”
Durante a semana seguinte àquela sexta-feira estressante, foquei em criar a estrutura adaptada do meu “Think Weeekend”. Como o isolamento causado pela pandemia do COVID-19 não permitia viajar, fiz a imersão no próprio apartamento que resido.
Me programei para iniciar ao sábado às 6h00 e finalizar no domingo às 20h00, para que pudesse aproveitar ao máximo o final de semana. Como toda imersão de Bill, também defini alguns objetivos e respostas que queria encontrar.
Entre eles, estava a revisão do meu planejamento pessoal por completo (incluindo propósito, estrelas guia e um plano trimestral). Como utilizo os OKR’s também para planejamento pessoal, acabei saindo com uma versão muito mais robusta do que estava acostumado a criar.
Na sequência, revisei e remodelei os meus projetos e programas profissionais, incluindo objetivos de cada um, pendências e reorganização de atividades. Resumindo: passei a limpo minha vida profissional.
Além disso, fiz a revisão de 27 livros importantes que li nos últimos dois anos, que me ajudaram na afinação do instrumento do meu planejamento (anotações e grifos nesses livros tornaram o processo mais ágil).
Algumas regras me ajudaram a manter o foco, como desconectar de redes sociais e tecnologia (Facebook, Instagram e Whatsapp) e estabelecer horários para refeições. Também utilizei o método Pomodoro durante a imersão. Nota: diminui em 92% o uso do meu smartphone, em comparação com a minha média semanal, mas não consegui me desligar totalmente.
Mas afinal, o que eu aprendi com tudo isso?
Dar uma passo atrás e parar para pensar sobre minha vida, e fazer SOMENTE isso por dois dias inteiros, foi um dos maiores presentes que me dei até hoje. Apesar de ter participado de vários treinamentos imersivos anteriormente, nunca tinha feito uma imersão totalmente sozinho.
Aprendi (ou lembrei) que o tempo é um recurso extremamente valioso, e que estava utilizando o meu muito mal. Senti que produzi em dois dias muito mais do achava que conseguiria, mantendo o foco nos objetivos esperados. Já criei uma nova lista de hábitos a partir destes gatilhos.
Percebi também que ficar ABSOLUTAMENTE sozinho talvez seja a coisa mais rara da humanidade em um mundo hiperconectado. Todas as vezes que estava sozinho no meu apartamento até então, estava conectado com dezenas de pessoas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens ao mesmo tempo. Essa foi uma das melhores experiências que tive.
A minha dica final é: permita-se a esta experiência! Na minha próxima imersão, pretendo fazer a versão full de sete dias e estar em um local realmente afastado da qualquer conectividade. Topa este desafio?
