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Quer trabalhar em INOVAÇÃO? O que eu aprendi em 10 anos está aqui.

O ano era 2011 e eu começava a minha primeira startup em Maringá-PR sem nem mesmo saber o que significava a sigla CNPJ – e muito menos o que era uma startup. Não tinha a menor noção do que aconteceria nos próximos 10 anos até hoje.
O Guilherme profissional de hoje com certeza agradece aquele Guilherme cheio de frio na barriga de 2011. Em resumo, faria tudo – mais ou menos – igual. Os acertos e os erros.
De lá para cá, fundei 2 startups, fui advisor de outras 4, gestor de programas de inovação que aceleraram mais de cem startups e agora, gerente de inovação do maior complexo de tratamento oncológico da América Latina em Barretos-SP. Há 10 anos não se falava em “carreira em inovação” como conhecemos hoje – e ainda conhecemos muito pouco. Então, nunca escolhi “trabalhar com inovação”. Aconteceu! E aqui você vai entender o motivo.
Mas esse texto não é sobre mim ou minha carreira – que nem merece um texto. Este texto é sobre alguns aprendizados trabalhando com startups e inovação nos últimos 10 anos.
Para facilitar a leitura, dividi este texto em três partes.
#01 – O que você precisa saber antes de “entrar de cabeça”?
#02 – Fazendo parte do “teatro” inovador
#03 – Como ser levado a sério no meio dos post-its?
Este texto não é definitivo, está sujeito a complementação e talvez daqui a 10 anos eu possa criticar muito do que eu escrevi aqui – ou agradecer por ter registrado esses aprendizados. Faz parte do crescimento. Agora, pegue o seu café e vamos nessa!
#01 – O que você precisa saber antes de “entrar de cabeça”?
Trabalhar com inovação é lidar diariamente com iniciativas empreendedoras em diferentes contextos. E empreender é um negócio – e carreira – de alto risco, em qualquer dimensão. É muito provável que, mesmo em empresas estabelecidas e pela brevidade do ecossistema de inovação brasileiro, você ainda trabalhe em iniciativas e departamentos de inovação que ainda “estão se provando”.
Consequentemente, trabalhar em inovação – dentro de uma grande empresa, em uma startup ou criando o seu próprio empreendimento inovador – também é basear a sua carreira em fatores que envolvem – em maior ou menor dimensão – risco. Na grande maioria das carreiras em inovação, você vai estar exposto a condições de extrema incerteza.
É a vida de startup extrapolada para sua carreira. Mas este não é um texto desanimador – prometo!
É claro que existe muita iniciativa relevante no país e gente séria que está gerando resultado e colocando grana alta no caixa de muitas companhias – e startups – pelo país. E fazendo isso há muitos anos de forma séria e consistente. Sebrae, Abstartups e dezenas de aceleradoras e corporates pelo Brasil estão aqui para provar isso! Mas ainda tem muita empresa – e profissionais – fazendo e pensando inovação no efeito manada.
É cool, sexy e pega bem colocar no relatório anual de investidores as cifras investidas em startups, eventos e hackathons. Isso faz com que ainda exista muita “espuma” por aí, ainda que muita gente – e empresas – estejam fazendo muita coisa séria e consistente, repito.
Como mercado novo e ainda em consolidação, também existe muita oportunidade e lacunas para novos atores – e pessoas – se posicionarem. Isso não significa, de forma alguma, seguir receitas de sucesso ou repetir carreiras de quem já se estabeleceu na área. Ver cases é divertido e inspirador, mas como uma área ainda em desenvolvimento, você deve escrever a sua própria história na área de inovação.
Se você está lendo este texto, provavelmente já trabalha ou quer trabalhar na área. Minha pergunta para você é: você realmente QUER trabalhar em inovação ou só acha cool a palavra da moda ser “startup” vendo salas cheias de puffs coloridos?
Olha onde você pode estar se metendo…
Crescemos muito – muito mesmo – em ciência, tecnologia e inovação no Brasil nos últimos 20 anos. Desaceleramos nos últimos cinco – não é opinião, são dados – e ainda temos muito a fazer nos próximos. A prova disso é o Índice Global de Inovação, que coloca o Brasil na 54ª posição entre 132 países em 2022. A nossa posição já foi melhor – 47ª posição em 2011 – e pior – 57ª posição em 2021. No geral, ainda somos pouco inovadores apesar de muito criativos. Sim, criatividade e inovação são coisas totalmente diferentes – já falo disso daqui a pouco.
Você pode ver o ranking completo neste link: Global Innovation Index 2022: What is the future of innovation-driven growth?
De acordo com o relatório da UNESCO em 2021, o Brasil investiu cerca de 1,26% do PIB em iniciativas e fomento para inovação, ainda longe da marca percentual – mais distante ainda em valor financeiro absoluto – de EUA – com 2,19% do PIB – e Alemanha – com 3,09% do PIB.
Para os bons empreendedores de carreira, isso é um prato cheio de oportunidades! As iniciativas estão apenas no começo – pelo menos é o que eu entendo, mera opinião. Portanto, trabalhar em inovação é também um mar de oportunidades!
O desenvolvimento do ecossistema de inovação brasileiro nos últimos anos foi animador. Muito mais estruturado, coeso e maduro, é fácil mensurar nosso crescimento em número – de startups, deals, investimento, M&A’s, corporates com iniciativas de inovação aberta e muito mais.
Apesar deste crescimento no Brasil, empreender continuará sempre sendo um negócio de alto risco no país e em qualquer outro lugar do mundo. Consequentemente, atuar com inovação é manter contato próximo com empreendedores – e intraempreendedores – o que faz com que sua carreira seja exposta a cenários de grande incerteza.
Gordon Moore estava certo…
Em 1965, o cofundador da Intel Corporation cravou uma visão que seria considerada a maior previsão tecnológica do século. Gordon Moore afirmou que a capacidade de processamento de componentes eletrônicos – entenda-se poder computacional – dobraria a cada 18 meses mantendo o mesmo – ou menor – custo por componente. A Lei de Moore, como ficou conhecida, explica o crescimento exponencial da tecnologia e o barateamento que proporciona uso e aplicação da tecnologia em massa.
O link do artigo original – para nerds – é este: Cramming more components onto integrated circuits (Gordon E. Moore, April 19, 1965)
É exatamente por isso que você está lendo este artigo de um computador, notebook ou celular que não ocupa mais o espaço de uma camionete à sua frente. Os dispositivos são muito mais potentes, menores e baratos do que 70 anos atrás.
O crescimento e popularização da tecnologia proporcionou ganhos em escala em contextos diversos nos últimos anos. E, por muito tempo no mundo dos negócios, utilizar a tecnologia como estratégia de maximização de vantagem competitiva no mercado foi um importante diferencial para empresas novas e consolidadas.
Foi – no passado. Esse crescimento exponencial também proporcionou comoditização. Explico: ter um sistema de gestão empresarial no início da década de 90 era uma vantagem competitiva clara em termos de eficiência operacional para diversos tipos de negócio. Hoje, trata-se de critério de sobrevivência. Toda empresa que deseja permanecer no mercado precisa ter uma estratégia mínima de digitalização. Como isso está ligado à sobrevivência, todo mundo que permanece vivo no mercado faz. Se todo mundo faz e tem, vira commodity.
O artigo – IT Doesn’t Matter – da Harvard Business Review de 2003 – sim, 2003 – já abordava o efeito da comoditização da tecnologia da informação.
Se apenas comprar e utilizar tecnologia passou a ser requisito básico de sobrevivência das empresas, entende-se que é preciso ir além dos departamentos de TI, que continuam com papel fundamental no ecossistema de negócios. E nesse caso, o “ir além” significa não apenas consumir, mas criar seus próprios recursos tecnológicos ou aplicar a tecnologia em diferencial claro em termos de modelo de negócio.
Explicando melhor: comprar um ERP não é diferencial competitivo, é critério de sobrevivência. Mas utilizar a tecnologia para criar um novo canal de venda, otimizar a sua cadeia de distribuição usando inteligência artificial ou transformar um negócio em plataforma digital, isso pode – sem certezas absolutas – se transformar em um diferencial competitivo.
E aí surgem as carreiras na área de inovação…
As áreas de tecnologia para aquisição, implantação e consumo de sistemas, aplicativos e derivados continuam sendo importantes pilares de sustentabilidade para os negócios. Mas o “ir além” do consumo é criar ou se antecipar no uso da tecnologia para transformação do core do negócio. É aí que surgem as atuações dos profissionais de transformação digital, inovação e afins.
O mais importante para as empresas – e startups – que entendem esse conceito é criar uma estratégia de inovação consistente atrelada à estratégia corporativa do negócio, atraindo, reposicionando e retendo pessoas – talentos – capazes de conduzir mudanças profundas na organização.
É aqui que você entra…
Inovar não é fazer ou participar de meetups, hackathons, oficinas de Design Thinking, programas de aceleração de startups ou corridas de ideias. Esses podem ser caminhos possíveis, mas estão longe de representar o resultado final. É muito mais profundo e deve – necessariamente – estar ligada à estratégia corporativa de longo prazo da empresa. Mas não é sempre assim que acontece.
As organizações perceberam que o relacionamento com startups é um caminho rápido para ajudá-las nesta transformação, já que muitas vezes elas não possuem o conhecimento, a velocidade e a percepção de realidade sobre novos modelos de negócio. Agora, elas passam a não apenas consumir, mas a criar ou readaptar a tecnologia para viabilizar novos modelos de negócio – novos produtos, serviços ou mesmo empresas spin-offs.
Este é o tipo de empresa que você deve permanecer por perto para trabalhar na área, sejam empresas estabelecidas ou startups: aquelas que entendem que inovação está ligada a uma questão estratégica de reposicionamento do core da empresa, e não apenas criação de eventos sem fundamento.
O problema é que quando isso não está ligado à estratégia de longo prazo da instituição, inovar vira um “teatro”, que vou apresentar melhor na parte 2 deste artigo – e como você pode sobreviver a ele.
Carreiras possíveis e habilidades necessárias…
Conversando com amigos da área, a história quase sempre se repete: a grande maioria das pessoas que trabalham na área de inovação, nunca escolheram trabalhar em inovação. Na minha – mera – opinião, isso acontece porque profissionais que trabalham na área costumam materializar seu senso de curiosidade, impaciência e espírito empreendedor na própria carreira, e acabam preferindo lidar com caminhos pouco conhecidos. Portanto, naturalmente se aproximam de iniciativas empreendedoras, muito ligadas à área de inovação.
Você fica confortável neste contexto?
Bingo, foi assim que entrei na área há 10 anos. Comecei minha própria empresa e nunca mais me distanciei do ambiente empreendedor. Se você se identifica com a descrição acima, é um forte candidato a trabalhar em inovação.
Não que não seja possível absorver as competências e desenvolver as habilidades para trabalhar em inovação, mas se manter vivo – e motivado – no meio de tanta incerteza só é possível se estiver intrinsecamente ligado ao seu propósito de vida. Isso é Motivação 3.0.
Vale dar uma olhada aqui: Dan Pink: The puzzle of motivation | TED Talk
Então, por que você deveria trabalhar em inovação?
Resposta curta: porque você fica confortável em criar coisas em cenários incertos.
Demorei para entender isso, mas hoje percebo um certo padrão nos demais colegas que trabalham na área de inovação. Trata-se de uma vocação, e não necessariamente uma escolha de carreira.
Isso serve para os três caminhos possíveis mais conhecidos – não excluindo outras centenas de possibilidades – para quem quer entrar na área de inovação.
1 – Você se torna um empreendedor de uma startup – ou de um negócio de base inovadora não necessariamente escalável.
2- Você trabalha em uma startup – ou scale-up – em áreas e operações pouco consolidadas no mercado tradicional.
3- Você trabalha na área de inovação em uma grande empresa – ou uma instituição de suporte ao empreendedorismo inovador.
A grande maioria das pessoas que eu conheço que trabalham na área de inovação se distribuem nas três carreiras possíveis acima. E a grande maioria delas já estiveram em pelo menos duas das três carreiras acima – ou algumas delas nas três. E este é o melhor caminho para aprender como trabalhar em inovação: criando, empreendendo e colocando a própria pele em jogo.
Em resumo, existe um único motivo para você querer trabalhar em inovação: VOCÊ QUER TRABALHAR EM INOVAÇÃO! Simples assim. Você fica confortável em empreender e criar cenários novos! Trabalhar nesta área NÃO é fazer eventos e hackathons, e sim acordar todos os dias para provar e reinventar produtos, serviços e modelos de negócio de empresas, nem que seja criando a sua própria startup.
#02 – Fazendo parte do “teatro” empreendedor
Salas coloridas com frases motivacionais de empreendedores famosos, puffs descolados, paredes com post-its, analistas “no dress code” e vários eventos com nomes em inglês. Tudo muito sexy para encher os olhos de qualquer visitante.
Isso tudo não significa que uma organização – ou startup – está inovando. Muitas vezes apenas significa uma cópia barata de um escritório estilo Vale do Silício. Todas as organizações querem e precisam inovar para sobreviver, mas poucas querem “pagar o preço” para realmente inovar.
Garantir sobrevivência e sustentabilidade de um negócio exige capacidade de colocar essa transformação em prática – de canais, produtos e modelos de negócio, principalmente. O problema é que muitas empresas respondem a essa necessidade com mais processos – e burocracia – ou copiando fórmulas prontas em formato de escritórios coloridos.
Eis que surge o “teatro” da inovação…
O termo não é meu, e aparece centenas de vezes em artigos e publicações relevantes na área da inovação, incluindo este – Why Companies Do “Innovation Theater” Instead of Actual Innovation – também da Harvard Business Review do meu guru Steve Blank.
Segundo sua abordagem, as organizações quando crescem se especializam em criar três tipos de teatro:
1. O teatro da inovação: adotar atividades prontas e conhecidas que moldam a cultura, mas não materializam produtos reais – hackathons e workshops de inovação.
2. O teatro organizacional: contratar consultorias que reorganizam as estruturas da empresa e criam uma “maquiagem” de agilidade que na prática não existe.
3. O teatro do processo: reformular os procedimentos atuais com termos ágeis e modernos sem mudar a profundidade da cultura para execução realmente ágil.
Isso pode acontecer com empresas estabelecidas, startups ou instituições públicas. Todas querem o benefício da inovação – eventos com cerveja regado a post-its na parede – mas poucas querem correr o risco de realmente transformar estas ações em novos produtos e aplicar em seu modelo de negócio.
Não existe nada de errado com os eventos e programas, desde que eles sejam o MEIO, e nunca o RESULTADO final do seu trabalho.
Entre os diversos tipos de atores neste ecossistema, as grandes empresas são as mais propensas a criar “teatros” de inovação: possuem recurso financeiro em abundância, tempo disponível nas diversas camadas organizacionais e estabilidade de mercado para responder com tempo a estas mudanças. Muitas vezes, a inovação não é “assunto urgente”, e acaba virando uma atividade totalmente desconexa da realidade e estratégia do negócio. A transformação tão necessária vira recreação corporativa. E a recreação vira teatro!
Mais uma vez: existem exceções incríveis no país. Empresas – e startups – realmente jogando sério, criando valor e colocando dinheiro no bolso de forma consistente. São empresas – e profissionais – que entenderam que o jogo é estratégico e deve ser pautado em resultado, e não em número de eventos durante o ano.
Muitas empresas já estão indo além do “teatro”, e o gatilho para perceber isso é quando a inovação começa a ser entendida como um componente estratégico. A minha dica é: ao entrar na área de inovação, aprenda a diferenciar as iniciativas relevantes dos infinitos “teatros” da inovação em formato de eventos coloridos. Faça a pergunta: quantos projetos reais e aplicáveis existem além dos eventos e puffs coloridos? Quais resultados geraram?
O problema é que o mapa não está pronto…
Ou seria solução? Não existe um caminho conhecido do ponto A ao ponto B para uma empresa – ou startup – inovar. Sendo assim, também não existe carreira linear em inovação. Como disse anteriormente, você vai perceber a sua vocação para trabalhar em inovação entendendo o quanto se sente bem em estar em cenários incertos que exigem criatividade, impaciência e curiosidade. E empreendedorismo!
A verdade é que existe uma diferença fundamental em relação a qualquer outra carreira: você será sempre o elo mais próximo – e mais parecido – com os empreendedores. Algumas vezes, você deverá ser o próprio empreendedor.
E empreender exige características específicas e generalistas diferente de muitas outras carreiras: você deve cultivar uma mentalidade aberta e preparada para o aprendizado diário, pronto para falhar, aprender e fazer novamente mais rápido.
E nada mais simples para explicar essas novas habilidades do que o bom – e já velho – conceito do T-Shaped Professional. O profissional T-shaped combina a profundidade de conhecimento em uma área específica com habilidades generalistas e conhecimento amplo em outras áreas.
O formato do “T” é usado para representar uma combinação de habilidades especializadas – na vertical – e componentes generalistas – na horizontal. Para a área de inovação, habilidades em engenharia, produto, administração, ciência e tecnologia são indispensáveis na composição do perfil profissional, porém deve sobressair um conjunto pequeno de especialidade na sua vertical de atuação.
Por exemplo, apesar do meu background acadêmico em engenharia – graduação e mestrado – naveguei durante alguns anos em desenvolvimento de produtos de software – até arriscando “codar” algumas páginas web – gestão de empresas – principalmente finanças – marketing – incluindo algumas certificações do Google – e mais recentemente mergulhando no universo da saúde. Em nenhuma delas me considero um especialista, mas posso conversar tranquilamente com profissionais da área mais experientes do que eu.
O meu “T” se forma quando o assunto é “desenvolvimento de startups”. Empreendi duas startups do zero, fui advisor de outras 4 e acompanhei mais de 100 em programas de aceleração. Portanto, me sinto extremamente confortável em navegar nessa área, com o conhecimento teórico que adquiri com mais de 10 anos de prática vivendo o “skin in the game” do empreendedorismo.
Em um ambiente em que grande parte das iniciativas de inovação e programas para startups são conduzidos por pessoas que nunca tiveram um CNPJ, considero o meu “T” o diferencial no ambiente em que estou inserido. Detalhe: ele não serve para absolutamente nada em centenas de outros cenários, mas me dá uma grande vantagem competitiva no meu ambiente.
Essa história toda do T-shaped vale apenas para fundamente minha dica nesta sessão: sua carreira – muito provavelmente – será não-linear, mas a formação da sua matriz de habilidades e competências pode ser planejada e executada de forma pensada. A reflexão é: qual é o seu “T” para trabalhar em inovação?
Vale olhar também o artigo: Introducing T-Shaped Managers: Knowledge Management’s Next Generation
Por falar em carreira não-linear…
Uma pesquisa conduzida pela Innovation Leader mostrou que o tempo médio de permanência de executivos na área de inovação é de 4,4 anos. A permanência é um pouco mais longa para os VPs – 5,4 anos – e um pouco mais curta para os gerentes – 3,3 anos. A pesquisa completa é How Long Do Corporate Innovation Jobs Last, and What Happens Next? – InnoLead
Fazer carreira na área de inovação não é para quem valoriza cenários estáveis e conhecidos, sendo válido para empreendedores de startups, colaboradores de grandes empresas e instituições de apoio ao empreendedorismo. A lógica é sempre a mesma: você estará exposto a cenários de extrema incerteza.
Ainda está curioso se fazer carreira em inovação é para você? Faça como uma startup: crie algumas hipóteses de carreira, vá a campo validá-las, crie um protótipo e tenha certeza de que funciona antes de arriscar tudo. Funciona para empreender e funciona para sua carreira.
Por fim, aprender fazendo – seja abrindo uma empresa ou procurando uma oportunidade na área – é a melhor forma de acelerar ao máximo sua curva de aprendizado. Eu sempre encorajo as pessoas a tentarem. Se funcionar, bingo: melhore e cresça. Se não funcionar, aprenda: reveja os erros, refaça o caminho e tente novamente. A carreira em inovação – como o lean startup – é um eterno ciclo para construir, medir e aprender.
#03 – Como ser levado a sério no meio dos post-its?
Para finalizar este artigo, essa última parte nasce com 5 dicas rápidas para ser levado a sério nessa área. Sim, cada vez mais fazer carreira em inovação é sexy, mas centenas de vezes já fui chamado de “o carinha do post-it”.
#01 – Seja um empreendedor pelo menos uma vez na vida
Desculpem a analogia, mas a área de inovação ainda está cheia de “sexólogos virgens”. Algumas das pessoas que mentoram, conduzem programas e iniciativas empreendedoras e dão dicas valiosas para pessoas que estão arriscando a própria pele, nunca sequer pagaram um salário na vida. Não sabem a sensação no estômago de dormir pensando como salvar o próximo trimestre de um negócio.
Se você QUER trabalhar na área de inovação, viva uma experiência de criação. Não precisa arriscar seu patrimônio, qualidade de vida ou o seu emprego atual. Porém, invista tempo e dinheiro para criação e validação de uma empresa do zero, tenha um CNPJ, contas para pagar e obrigações a cumprir. Entenda a jornada “calçando o sapato” dos empreendedores. Esse será o melhor MBA de Empreendedorismo da sua vida!
A grande maioria dos conselhos idiotas que ouvi de pessoas sentadas em cadeiras confortáveis com o salário garantido no final do mês vieram das pessoas que nunca viveram essa experiência. Não seja o sexólogo virgem. Não seja o “carinha do post-it” que nunca tentou criar nada na vida e vende dicas baratas dos livros de empreendedorismo que leu.
#02 – Tenha certeza de que você QUER trabalhar em inovação
Lembre-se de que existe um único motivo para você trabalhar em inovação: VOCÊ QUER TRABALHAR NA ÁREA DE INOVAÇÃO! Se você pensa em entrar na área porque viu uma lista de salários ou a profissão está no topo da lista de tendências para os próximos anos, esqueça! Essa é uma carreira para quem gosta do “skin in the game”.
Você vai saber que faz sentido para você uma carreira na área de inovação caso sinta-se confortável para trabalhar em ambientes “em construção contínua” e que exigem que você “escreva a sua próxima página”. Geralmente, ambientes como este não são caminhos conhecidos ou já trilhados.
#03 – Encontre um mentor o mais rápido possível
De preferência um mentor que já errou. Aprendeu, melhorou, cresceu e pode compartilhar sobre seus aprendizados. Sem romantismo, só vivência prática! Pode ser aquele que está no auge, mas desde que compartilhe o lado “fail” da carreira em inovação. Ter um mentor vai multiplicar a velocidade de aceleração da sua carreira na área se comparado com os livros de receitas empreendedoras prontas.
A jornada empreendedora – e de qualquer carreira em inovação – nunca é linear, mas contar o lado romântico das histórias de sucesso vende muito mais livros. As prateleiras das livrarias estão cheias de “vá em frente, você consegue assim como eu consegui”. Estes são os “junk food” do empreendedorismo moderno, fácil de ler, sem atrito algum. Mas ele não vai te levar a um próximo nível.
O seu mentor – ou mentorES – não será a pessoa que irá pegar na sua mão e guiá-lo pelo caminho até sua contratação – ou sucesso da sua empresa. O papel do mentor é compartilhar as experiências e aprendizados práticos nos momentos de inflexão da sua jornada. A responsabilidade pela jornada é TOTALMENTE sua.
#04 – Entenda que inovação é sobre RESULTADO
Você precisa focar em CRIAR a inovação. E isso vai além das oficinas e hackathons. Vou dar dois dos conceitos de inovação que costumo fixar em todos os projetos e iniciativas que eu conduzo. Para Peter Drucker “inovação é o ato de atribuir novas capacidades aos recursos (pessoas e processos) existentes na empresa para gerar riqueza“. Já para o Manual de Oslo, inovação é a “implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”
Perceba que inovação é totalmente diferente de criatividade ou de qualquer outra atividade-meio para gerar resultados reais. Os dois conceitos referem-se à “inovação” como a capacidade de implementar e gerar riqueza a partir de novas ideias e conceitos. Eventos, hackathons, salas coloridas e post-its podem ser o caminho para se construir novas soluções, mas são apenas o meio. O resultado finalístico da inovação será – sempre – a capacidade de gerar vantagem competitiva e RESULTADO a partir de processos criativos.
Trabalhando na área de inovação, você será o profissional do RESULTADO. É simples de entender, mas muito difícil de concorrer com “teatros” por toda a parte.
Por fim, o conceito mais básico…
Coloque sua própria pele em jogo! Já falei anteriormente que as carreiras na área de inovação são as mais próximas da jornada empreendedora. Você irá conviver diariamente com jornadas de criação de negócios e transformação de empresas estabelecidas em cenários de altíssimo risco e incerteza. E assim será a sua jornada também.
Finalizo este texto com uma lista curta e em constante construção, biblioteca básica para entender este mundo. Se quiser seguir em frente, espero que não pare nos livros. A carreira na área de inovação é uma eterna jornada Lean Startup: construir, medir e aprender!
#01 – Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos
Nassim Nicholas Taleb
#02 – Teoria U: como liderar pela percepção e realização do futuro emergente
Otto Scharmer
#03 – The Hard Thing about Hard Things: Building a Business When There Are No Easy Answers
Ben Horowitz
#04 – O Dilema da Inovação
Clayton M. Christensen
#05 – The Four Steps to the Epiphany
Steve Blankv
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OKR para startups: como crescer com FOCO?

Como criar uma estratégia de crescimento que realmente funcione na sua startup?
Seja na fase de validação, crescimento ou tração, vejo frequentemente muitas startups com estratégias confusas, ações dispersas e sem um propósito relevante. Apesar de ver equipes motivadas e com muita energia para desenvolver e colocar um novo produto no mercado, o cenário que vejo é startups crescendo sem nenhum norte.
Seja uma startup ainda com apenas os founders ou uma startup em crescimento com 20, 30 ou 100 pessoas, é possível (e extremamente necessário) definir objetivos e metas para o crescimento do negócio. E nesse cenário, o modelo utilizado por Google, Spotify e GoPro faz muito sentido: o OKR (Objectives and Key Results). A ferramenta de ouro das Organizações Exponenciais.
O ideal é crescer sem burocracia. Vamos nessa?
Mas afinal, o que é OKR?
O OKR (ou: Objetivos e Resultados-Chave) é um ferramenta para definição de objetivos e metas que tem como proposta auxiliar as pessoas na criação estratégias relevantes. A ferramenta permite alinhamento e engajamento das pessoas em torno de metas que realmente fazem sentido para a organização.
IMPORTANTE!: OKR não é uma metodologia!
Criado na Intel por volta de 1970, o OKR se tornou extremamente popular depois da adoção do Google em 1999. Desde então, diversas empresas dentro e fora do mundo da tecnologia pautam sua gestão estratégica em torno do OKR.
Os OKR’s se tornaram popular por criar e difundir uma forte orientação para resultados nas empresas que o adotam. O OKR é formado por dois componentes básicos:
(1) OBJETIVOS e (2) RESULTADOS-CHAVE.
Os OBJETIVOS traduzem as aspirações da empresa, pois nele existe um fator significativo que faz a empresa defini-lo como um “sonho”. Ou seja, o objetivo precisa ser de grande relevância para o negócio.
Já os RESULTADOS-CHAVE respondem como os objetivos serão mensurados e graduados. Cada objetivo é, geralmente, mensurado por um conjunto de 3 a 4 resultados-chave que comprovam a realização do “sonho” maior da organização.
Mas como implementar na minha startup?
Apesar de ser um modelo ágil de definição de objetivos e metas, existem poucos materiais disponíveis sobre OKR para startup. Uma dica de ouro: considere implantar o OKR o quanto antes em sua startup, principalmente se ainda estiver com uma equipe pequena. Também é possível (e recomendado) se ainda forem apenas fundadores na startup.
Sabe por que? Apesar de ideias fantásticas e muita energia, a maioria das startups perdem o FOCO em algum momento nos primeiros meses de vida. O OKR ajudará seu time a selecionar o que realmente importa e a manter o time olhando sempre para isso.
Após algumas ideias divergentes, é comum também o time inicial da startup perder o ALINHAMENTO entre a equipe. O OKR ajudará o time em manter a transparência e uma comunicação de qualidade com base em crescimento. Por fim, em algum momento nos primeiros meses de vida, as startups começam a bater cabeça e perder a AGILIDADE, tornando-se excessivamente burocráticas. O OKR ajudará o time a manter o olho nos resultados-chave do negócio.
E como começar?
1. Torne claro o PROPÓSITO da sua startup
Acredite se quiser: seu negócio não funcioná ao menos que você consiga compartilhar o futuro que tem em mente com toda a sua equipe. Todos precisam visualizar o futuro. Todos precisam enxergar o caminho. Todos precisam saber como contribuir e onde poderão estar em um futuro próximo junto com o negócio.
Não ignore esta etapa. Ela é tão (ou mais) importante quanto definir os objetivos e resultados-chave.
2. Entenda o seu cenário e mercado
Não saia atribuindo metas aleatórias e apenas com o que você tem em mente. É importante sonhar e atribuir metas desafiadoras. Mas também é importante entender onde você está inserido e qual é o momento atual (interno) da sua startup.
Por isso, faça uma reflexão com a sua equipe. Faça um mapeamento do contexto em que sua startup está inserida e os pontos críticos que limitam seu time a chegar no propósito que definiram. Com isso, você poderá entender e priorizar os fatores críticos que precisam focar e o que fará de fato a sua startup diferente em seu contexto.
Nesta etapa, não esqueça dos principais aprendizados da sua jornada de Desenvolvimento pelo Cliente.
3. Agora (e somente agora) defina os OKR’s
Comece com os objetivos estratégicos. Pense antes de tudo no nível de sua startup, sem se preocupar (ainda) com os OKR’s individuais. Responda à pergunta chave “Para onde queremos ir?”. Isso inclui as oportunidades de negócio que devem ser aproveitadas (ampliação da base de usuários, lançamento de funcionalidades, engajamento de usuários, etc) ou os problemas internos que devem ser corrigidos (aumentar a produtividade da equipe, engajar os colaboradores, etc).
Defina entre 3 e 5 objetivos para garantir o foco de toda a sua equipe. A partir de agora, defina até 4 resultados-chave (quantitativos) para responder a pergunta chave “Como medir que estamos no caminho certo?”. Estes conjuntos serão os resultados esperados para sua startup pelos próximos meses (de preferência, adote ciclos trimestrais).
Com o conjunto de OKR’s estratégicos, defina como desdobrar para sua equipe. Você pode criar os OKR’s por times de trabalho, por áreas funcionais ou mesmo para cada indivíduo. O ideal é que todos os OKR’s definidos tenham conexão entre si para “dar conta do recado” e alcançar os objetivos estratégicos.
Há equipes que preferem desdobrar os OKR’s estratégicos apenas com Planos de Ação entre os grupos ou pessoas. O ideal é adotar o formato que faça sentido no OKR para startup.
4. Compartilhe e engaje as pessoas
Por fim (e não menos importante) faça com que os OKR’s sejam entendidos por todas as pessoas da empresa. Muito mais do que isso, faça com que todas as ações e projetos da sua startup sejam direcionadas à alcançar os OKR’s estratégicos definidos para a startup.
Para isso, faça acompanhamento periódico dos resultados alcançados com o objetivo de garantir feedback rápido, de preferência semanalmente.
Algumas boas práticas
Não torne o processo burocrático – mantenha o processo de definição e acompanhamento dos OKR’s o mais simples possível. Não burocratize com muitas reuniões ou uma estrutura muito complexa para o fechamento e análise dos números.
Cuidado com o Top-Down e cascata – não imponha metas para os membros da equipe. Faça o processo ser participativo. Não crie uma “cascata” de OKR’s na estrutura “de cima para baixo”. Faça com que a equipe construa seus próprios OKR’s.
Tenha disciplina para o checkin – o acompanhamento é tão importante quanto a definição dos objetivos. Faça uma cerimônia (de preferência semanal) que denominamos “checkin” para informar os resultados prévios e traçar ações rápidas para contribuir com o alcance dos objetivos.
O OKR para startup pode ser uma excelente ferramenta para manter a equipe focada nos resultados importantes, garantir agilidade e facilitar o alinhamento do grupo. Tem alguma experiência bacana na sua startup?
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Absorção Ágil: sobre empresas que sobrevivem à crises

Antes de mais nada, vamos fazer um exercício mental: imagine-se em um cenário absurdamente hostil (você pode estar em uma luta de boxe, ter seu carro atolado de madrugada em um lugar isolado ou ser um empresário em tempos de pandemia). Imaginou?
Agora, imagine-se chegando próximo ao colapso nesta situação: seu oponente do boxe o encurralou com golpes no ringue, uma pessoa estranha aproxima-se do seu carro atolado na madrugada ou sua empresa tem caixa suficiente apenas para mais 10 dias. Imaginou?
Muito tenso, não?
Muito provavelmente tenha vindo duas coisas à sua mente: “preciso ser forte para reagir aos golpes” OU “preciso ser rápido para fugir dessa situação”.
Qual a melhor escolha? E se pudéssemos escolher as duas ao mesmo tempo?
Escolha a Absorção Ágil
A capacidade de unir estas duas escolhas foi denominada Absorção Ágil. O termo foi criado por Donald Sull, professor da London Business School e do MIT.
Em seu artigo de 2009, na Harvard Business Review, o próprio professor Donald Sull explica o conceito.
As empresas podem (…) empregar agilidade para detectar e explorar mudanças no mercado. Como alternativa, eles podem confiar em seus poderes de absorção para suportar mudanças no mercado. Alguns, no entanto, combinam ambas as abordagens e exibem “absorção ágil” – a capacidade de identificar e aproveitar oportunidades de maneira consistente, mantendo as características estruturais às mudanças climáticas.
A melhor forma de explicar a Absorção Ágil na prática, é o paralelo feito pelo próprio professor Sull com a luta entre Muhammad Ali e George Foreman. A luta era considerada a maior luta do esporte até então, e pagava ao vencedor ao maior bolsa da história!
A luta foi apelidada de Rumble in the Jungle!
Rumble in the Jungle
De um lado, George Foreman era o atual campeão e favorito nas apostas. O estilo de Foreman era de muita resistência e força. Devido à sua enorme massa, conseguia castigar seus oponentes com os golpes extremamente poderosos, além de resistir às investidas dos oponentes.
No mundo dos negócios, Foreman poderia ser grandes empresas com alta capacidade de investimento e sobrevivência aos golpes do mercado.
Do outro lado, Muhammad Ali era um dos atletas mais rápidos do esporte, conseguindo aproveitar brechas e oportunidades de forma extremamente rápida. A velocidade dos seus movimentos foram estudados por anos após suas lutas mais importantes.
No contexto empresarial, Ali pode ser considerado empresas enxutas que crescem rapidamente, mas com pouco capital para sobreviver aos impactos de crises.
Porém, o que fez a diferença na luta não foi uma das duas características isoladas, e sim a capacidade de adaptação de Muhammad Ali ao ambiente hostil que estava.
Sabendo que não iria conseguir castigar Foreman com seus golpes, ou mesmo absorver as investidas do oponente por muito tempo, Ali desenvolveu e treinou para a luta uma das técnicas que mudaria o esporte: a Rope-a-Dope.
Absorção Ágil na prática
Durante a luta, Ali deixava se encurralar nas cordas e permitia que Foreman golpeasse a sua linha de cintura. Durante oito assaltos, essa foi a realidade da luta.
Na prática, o que acontecia era que Foreman cansava-se progressivamente, enquanto os golpes eram absorvidos pelas cordas que Ali estava encostado. Toda a força investida em cima do corpo de Ali era inútil. Essa técnica passou a ser conhecida no esporte como Rope-a-Dope.
Contudo, no oitavo assalto, Ali aproveitaria o cansaço do seu oponente, e em poucos segundos de agilidade desfere dois golpes certeiros no oponente, encerrando a luta.
Então, eis o resumo da Absorção Ágil na prática: absorver golpes (mudanças de mercado, novos concorrentes, crises ou produtos substitutos) na mesma proporção que aproveita-se oportunidades únicas com velocidade.
Segundo o professor Sull:
Em tempos instáveis, cultivar e usar os dois recursos em combinação pode ajudar as empresas não apenas a sobreviver, mas a emergir como verdadeiras líderes de mercado.
Como criar Absorção Ágil?
A princípio, é preciso desenvolver as duas habilidades.
ABSORÇÃO é a capacidade de preparar-se para adversidades e turbulências. Nenhum plano sobrevive ao caos, portanto, é preciso desenvolver estratégias para absorver os impactos que irá receber.
Criar escalabilidade (fazer suas curvas de receita e custos descolarem), diversificar portfólio (não coloque todas as suas fichas em um produto, mas não queira ter 50 produtos para perder o foco) ou blindar seu modelo de negócio (criar barreiras de entrada a novos players e barreiras de saída de clientes ativos) são formas de desenvolver absorção.
Veja este artigo sobre Organizações Exponenciais e modelos de negócios.
AGILIDADE significa aproveitar consistentemente novas oportunidades de negócios, de forma mais rápida do que seus rivais. Significa entregar o valor certo ao mercado no momento ideal.
Criar agilidade operacional (encontrar e aproveitar oportunidades para melhorar operações e processos), agilidade de portfólio (transferir recursos de maneira rápida e eficaz para as oportunidades corretas) e agilidade estratégica (distribuir o esforço entre as decisões e possibilidades) são formas de desenvolver agilidade.
Veja também este artigo sobre Blitzscaling e construção de negócios ágeis.
E você, como tem preparado seu negócio para absorver os impactos e turbulências do mercado, ao mesmo tempo que aproveita as oportunidades no tempo certo?
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Management 3.0 e complexidade: sua empresa é um monstro?

Sim, sua empresa pode ser um monstro. Ter puffs coloridos, paredes com frases motivacionais e uma mesa de ping pong não a deixa mais bonita. Isso não basta! Repensar seu negócio é muito mais profundo do que isso.
Essa visão de organizações como monstros foi criada por Jurgen Appelo, o pai do Management 3.0. Aqui neste artigo vou compartilhar alguns insights sobre complexidade e as 6 visões do Management 3.0.
Vamos nessa?
A Hiperconexão e modelos falidos
Nem é preciso falar que vivemos em um mundo hiperconectado! Os hábitos dentro e fora das organizações estão mudando de forma radical. Nos comunicamos de forma diferente, interagimos de forma mais dinâmica e as relações sofrem mudanças em períodos cada vez menores.
Nem precisamos falar dos efeitos da transformação digital causada pela pandemia do COVID-19. Mas será que a forma atual de gerir as organizações leva em consideração toda essa hiperconexão e volatilidade do mundo?
Management 3.0: dançando com a complexidade
A Gestão 3.0 é um movimento que trata a complexidade como um processo natural para as organizações, buscando adaptar a forma como a gestão reage ao sistema. É preciso uma nova abordagem em como líderes atuam dentro das organizações.
Chegou a vez dos times auto-organizados, métodos ágeis e facilitação.
O modelo tradicional de gestão nos ensinou a decompor um sistema (uma empresa, por exemplo) em várias partes e estudá-las de forma independente. Acreditava-se, neste cenário, que tudo poderia ser previsto e se comportaria de forma linear. Lembra dos “Tempos Modernos”? As organizações são como máquinas!
Porém, uma empresa (e a maioria dos demais sistemas), não são lineares e muito menos previsíveis. Praticamente todas as partes que decompomos são dependentes de outras e atuam reagindo com efeitos múltiplos à causas diversas.
Resumindo: um efeito não tem uma causa única em todos os cenários, contexto ou tempo.
É o que nos ensina qualquer estudo de científico, seja física ou termodinâmica. É o que prega também a Teoria da Complexidade, que demoramos mais de um século para considerá-la dentro do conhecimento em gestão: é praticamente impossível estudar e tomar decisão completa levando em consideração apenas partes isoladas de um sistema.
As empresas de pensamento tradicional ignoram toda a complexidade e investem tempo (e muito recurso) tentando planejar os cenários e prever as causas e efeitos de cada ação que podem fazer. Em grande parte, isso representa investimento perdido, pois quase todas as ações serão inúteis frente à complexidade e mudanças que acontecem todos os dias. Ou seja, um desperdício imenso de tempo, energia e recursos.
Uma das principais características da Gestão 3.0 refere-se à como as organizações distribuem o poder e liderança em toda a cadeia. A conclusão é que ficar com a tomada de decisão centralizada no topo da cadeia pode colocar em risco a sobrevivência da empresa.
Como gerir na complexidade?
Jurgen Appelo, o pai do Management 3.0 criou um monstro fictício denominado Martie, que representa os 6 desafios da Gestão 3.0. A ideia do monstro, segundo ele, é para representar que toda e qualquer ação executada por uma organização, o monstro se adapta para que o efeito seja imprevisível.
#01 – Energizar Pessoas (Energize People)
Cada colaborador possui um motivador interno diferente. Segundo as teorias mais modernas, é impossível motivar alguém. Na Gestão 3.0, é papel de um gestor identificar os motivadores internos de cada colaborador e conectá-los ao propósito e ambiente da empresa. O desafio é construir um ambiente onde as pessoas sintam-se inspiradas e com um nível de energia elevado.
#02 – Empoderar Times (Empower Teams)
Uma das características da Gestão 3.0 é a tomada de decisão descentralizada por toda a organização. Empoderar times significa oferecer autonomia para as equipes resolverem seus próprios problemas da rotina e tomar suas próprias decisões com frequência. A ideia de comando centralizado e hierarquia vertical é diminuída e quebrada com o empoderamento de times.
#03 – Alinhar Restrições (Align Constraints)
Times empoderados devem tomar decisões de diferentes níveis e impactos no contexto. Uma das melhores formas de prevenir problemas relacionados à decisões equivocadas é alinhar as restrições da equipe. Essas restrições não limitam a ação das equipes, mas direcionam para o que a organização acredita. Elas podem vir em forma de objetivos, metas, valores e etc.
#04 – Desenvolver Competência (Develop Competence)
Boas decisões tomadas por times empoderados e com restrições claras possuem relação forte com inteligência de decisão. Novos contextos exigem competências específicas. Neste cenário, a organização precisa prover conhecimento e estrutura para troca de experiências na rotina, desenvolvendo as competências necessárias para o crescimento.
#05 – Crescer a estrutura (Grow Structure)
As organizações tradicionais possuem um vício em crescem de forma hierarquizada e vertical. Para a Gestão 3.0, este tipo de estrutura é lenta e muito cara. Em contrapartida, as organizações precisam desenvolver um modelo onde “a parte tem a essência do todo”. Isso pode acontecer por meio de unidades que possuem multidisciplinariedade e autonomia para resolver seus problemas e se desenvolver sem dependência.
#06 – Melhorar Qualquer Coisa (Improve Everything)
A questão levantada pela Gestão 3.0 é a necessidade de contestar sistemas ordenados e lineares. Existe uma nova forma de se relacionar com o ambiente, que é cada vez mais complexo e incerto.
Vamos continuar fazendo a mesma gestão dos últimos 100 anos?
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“Think Weekend”: como eu fiz e o que aprendi em minha primeira experiência

á era sexta-feira 19h45 de novo, e eu chegava exausto ao final de mais uma semana. Muito produtiva, OK. Mas sentia falta de ver como aquilo tudo estava se conectando com meu crescimento pessoal e profissional.
Senti que o volume infinito de tasks na minha “to-do-list” de repente me tirou o foco e me afastou da minha “the big picture”.
O Guilherme se tornou apenas um “fazedor de tarefas”? Um executor “puxador de carroça”? Precisava me conectar de novo com minha essência, propósito e objetivos de vida.
Foi aí que me lembrei da “Think Week”.
Uma “Think Week” por Bill Gates
Já faz um tempo que havia lido um artigo falando sobre uma rotina que Bill Gates possui há décadas, que ele denomina “Think Week”. Bill embarca duas vezes ao ano em uma semana inteira de retiro imerso em uma cabana no Pacífico.
Durante sete dias, ele se desconecta da sua família, amigos e tecnologia, levando consigo apenas livros, jornais, artigos e notas que considera importantes. Bill foca em estudar profundamente, escrever e criar respostas para questões importantes pessoais e profissionais que está vivendo.
Os memorandos e decisões mais importantes da Microsoft, por exemplo, segundo relatam vários artigos, foram tomadas nas Think Weeks de Bill durante quase duas décadas.
Como eu não tenho uma cabana no Pacífico e não podia me afastar do trabalho por uma semana, resolvi fazer a minha adaptação “pocket” para um final de semana.
Minha versão pocket: “Think Weekend”
Durante a semana seguinte àquela sexta-feira estressante, foquei em criar a estrutura adaptada do meu “Think Weeekend”. Como o isolamento causado pela pandemia do COVID-19 não permitia viajar, fiz a imersão no próprio apartamento que resido.
Me programei para iniciar ao sábado às 6h00 e finalizar no domingo às 20h00, para que pudesse aproveitar ao máximo o final de semana. Como toda imersão de Bill, também defini alguns objetivos e respostas que queria encontrar.
Entre eles, estava a revisão do meu planejamento pessoal por completo (incluindo propósito, estrelas guia e um plano trimestral). Como utilizo os OKR’s também para planejamento pessoal, acabei saindo com uma versão muito mais robusta do que estava acostumado a criar.
Na sequência, revisei e remodelei os meus projetos e programas profissionais, incluindo objetivos de cada um, pendências e reorganização de atividades. Resumindo: passei a limpo minha vida profissional.
Além disso, fiz a revisão de 27 livros importantes que li nos últimos dois anos, que me ajudaram na afinação do instrumento do meu planejamento (anotações e grifos nesses livros tornaram o processo mais ágil).
Algumas regras me ajudaram a manter o foco, como desconectar de redes sociais e tecnologia (Facebook, Instagram e Whatsapp) e estabelecer horários para refeições. Também utilizei o método Pomodoro durante a imersão. Nota: diminui em 92% o uso do meu smartphone, em comparação com a minha média semanal, mas não consegui me desligar totalmente.
Mas afinal, o que eu aprendi com tudo isso?
Dar uma passo atrás e parar para pensar sobre minha vida, e fazer SOMENTE isso por dois dias inteiros, foi um dos maiores presentes que me dei até hoje. Apesar de ter participado de vários treinamentos imersivos anteriormente, nunca tinha feito uma imersão totalmente sozinho.
Aprendi (ou lembrei) que o tempo é um recurso extremamente valioso, e que estava utilizando o meu muito mal. Senti que produzi em dois dias muito mais do achava que conseguiria, mantendo o foco nos objetivos esperados. Já criei uma nova lista de hábitos a partir destes gatilhos.
Percebi também que ficar ABSOLUTAMENTE sozinho talvez seja a coisa mais rara da humanidade em um mundo hiperconectado. Todas as vezes que estava sozinho no meu apartamento até então, estava conectado com dezenas de pessoas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens ao mesmo tempo. Essa foi uma das melhores experiências que tive.
A minha dica final é: permita-se a esta experiência! Na minha próxima imersão, pretendo fazer a versão full de sete dias e estar em um local realmente afastado da qualquer conectividade. Topa este desafio?
